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quarta-feira, 9 de julho de 2014
AS OITO PREOCUPAÇÕES MUNDANAS
Pagina Inicial As Oito preocupações mundanasAs Oito preocupações mundanas
Alan WallaceBudismoCausas da FelicidadeCausas do SofrimentoFelicidadeMeditaçãoMentePema Chödrönjul 7, 2014
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1.3K Flares 1.3K Flares × Podemos achar que, de algum modo, devemos tentar erradicar esses sentimentos de prazer e dor, perda e ganho, louvor e culpa, prestígio e desonra. Entretanto, seria uma abordagem mais realista tentar conhecê-los, ver como eles nos fisgam, observar como colorem nossa percepção da realidade, perceber que não são assim tão sólidos. Então, os oito dharmas materiais se transformariam em meios para nos tornarmos mais sábios, bondosos e felizes.
Um dos ensinamentos budistas clássicos sobre esperança e medo refere-se aos chamados oito dharmas materiais [ou oito dharmas mundanos], que são pares de opostos: quatro de que gostamos e a que nos apegamos, e quatro de que não gostamos e tentamos evitar. A mensagem básica é a de que sofremos quando ficamos envolvidos neles.
Em primeiro lugar, gostamos do prazer e somos apegados a ele. Ao contrário, não gostamos da dor. Em segundo lugar, gostamos de louvores e somos atraídos por eles. Tentamos evitar a crítica e a culpa. Em terceiro, gostamos de prestígio e damos valor a ele. Não gostamos da desonra e tentamos evitá-la. Finalmente, somos apegados ao ganho, a conseguir aquilo que desejamos. Não gostamos de perder o que possuímos.
De acordo com esse ensinamento muito simples, estar imerso nesses quatro pares de opostos — prazer e dor, perda e ganho, prestígio e desonra, louvor e culpa — é o que nos mantém presos ao sofrimento do samsara.
Sempre que nos sentimos bem, nossos pensamentos são geralmente sobre os aspectos de que gostamos — louvor, ganho, prazer e prestígio. Quando nos sentimos insatisfeitos, irritados e fartos, nossos pensamentos e emoções estão, provavelmente, girando em torno de algo como dor, perda, desonra e culpa.
Vamos tomar o louvor e a culpa. Alguém chega até nós e diz: “Você está velho”. Se acontece de querermos ser velhos, vamos nos sentir muito bem. Ouvimos isso como elogio, sentimos grande prazer e um sentimento de ganho e prestígio. Entretanto, imagine que passamos o ano inteiro obcecados pela idéia de nos livramos de nossas rugas e de termos uma linha do queixo mais firme. Quando alguém diz “Você está velho”, encaramos isso como um insulto. Acabamos de ser criticados e experimentamos um sentimento de dor correspondente.
Mesmo se pararmos agora de falar sobre esse ensinamento específico, já é possível perceber que muitas de nossas variações de humor estão relacionadas com a maneira pela qual interpretamos o que acontece. Se olharmos atentamente para as alterações de nossos estados de espírito, veremos que sempre existe algo que as desencadeia. Carregamos uma realidade subjetiva que está continuamente fazendo disparar reações emocionais. Alguém diz “você está velho” e entramos em um estado mental específico — de alegria ou tristeza, de encanto ou aborrecimento. Para outra pessoa, a mesma experiência pode ser completamente neutra.
Palavras são faladas, cartas são recebidas, telefonemas são dados, o alimento é ingerido, as coisas acontecem ou não acontecem. Acordamos pela manhã, abrimos os olhos e as situações sucedem-se o dia todo, até que vamos dormir novamente. Mesmo durante o sono, muita coisa acontece. Durante toda a noite, encontramos as pessoas e situações de nossos sonhos. Como reagimos ao que ocorre? Somos apegados a determinadas experiências? Rejeitamos ou evitamos outras? Quanto somos fisgados pelos oito dharmas materiais?
A ironia está no fato de que somos nós mesmos que os construímos, por meio de reações ao que nos acontece. Eles não são concretos em si mesmos. Mais estranho ainda é o fato de também não sermos tão sólidos assim. Temos um conceito a respeito de nós mesmos que reconstruímos momento a momento e tentamos proteger por reflexo. Entretanto, esse conceito que estamos protegendo é questionável. É tudo “muito barulho por nada” — como empurrar e puxar uma ilusão que se desfaz.
Podemos achar que, de algum modo, devemos tentar erradicar esses sentimentos de prazer e dor, perda e ganho, louvor e culpa, prestígio e desonra. Entretanto, seria uma abordagem mais realista tentar conhecê-los, ver como eles nos fisgam, observar como colorem nossa percepção da realidade, perceber que não são assim tão sólidos. Então, os oito dharmas materiais se transformariam em meios para nos tornarmos mais sábios, bondosos e felizes.
Para começar, durante a meditação, podemos perceber como as emoções e os estados de humor estão relacionados com ter ganhado ou perdido algo, ter sido elogiado ou acusado, e assim por diante. É possível notar que aquilo que começa como um simples pensamento, uma mera qualidade de energia, rapidamente se manifesta sob uma forma desenvolvida de prazer ou sofrimento. É claro que precisamos de uma certa coragem, já que gostaríamos que tudo ficasse na coluna do prazer/louvor/prestígio/ganho. Gostaríamos de nos assegurar de que tudo vai ser a nosso favor. No entanto, quando olhamos bem, vemos que não temos nenhum controle sobre o que nos acontece. Temos todo tipo de alteração de humor e reação emocional. Elas simplesmente vêm e vão, interminavelmente.
Às vezes, seremos completamente aprisionados por um drama. Ficaremos tão aborrecidos quanto ficaríamos se alguém entrasse na sala e nos desse um tapa no rosto. Nesse momento é possível pensar: “Espere um pouco — o que está acontecendo?”. Olhamos para a situação e conseguimos enxergar que, de repente, sentimos que perdemos algo ou fomos insultados. Não sabemos de onde vem essa sensação, mas lá estamos nós, mais uma vez fisgados pelos oito dharmas materiais.
Exatamente nesse momento, podemos sentir essa energia, fazer o máximo para permitir que os pensamentos se dissolvam e dar a nós mesmos uma folga. Para além de todo o estardalhaço e confusão, existe um céu enorme. Bem ali, no meio da tempestade, podemos parar e relaxar.
Podemos também ser completamente levados por uma deliciosa, prazerosa fantasia. Olhamos para a situação e, do nada, sentimos que ganhamos, vencemos, fomos elogiados por algo. O que surge foge ao nosso controle e é totalmente imprevisível, como as imagens de um sonho. Entretanto, assim que se inicia, somos mais uma vez fisgados pelos oito dharmas materiais.
Os seres humanos são tão previsíveis! Um pequeno pensamento surge, cresce, e antes que possamos saber o que aconteceu, somos tomados pela esperança e pelo medo.
No século VIII, um homem notável introduziu o budismo no Tibete. Seu nome era Padmasambhava, o Nascido do Lótus. Era também chamado de Guru Rinpoche. A lenda conta que, certa manhã, ele simplesmente apareceu sentado em um lótus, no meio de um lago. Diz-se que essa criança incomum nasceu totalmente desperta, sabendo, desde o primeiro momento, que os fenômenos — exteriores e interiores — não possuem nenhuma realidade. O que ele não sabia era como funcionavam os fatos da vida cotidiana. Era um menino muito curioso. Percebeu, desde o primeiro dia, que atraía a todos com seu brilho e beleza. Notou também que, quando estava alegre e bem-humorado, as pessoas ficam felizes e o cobriam de elogios. O rei desse país ficou tão cativado por essa criança que levou Guru Rinpoche para viver em seu palácio e o tratava como filho.
Então, um dia, o menino foi brincar no alto do palácio, levando consigo os instrumentos rituais do rei: um sino e um cetro de metal chamado vajra. Feliz, dançava por ali, fazendo soar o sino e girando o vajra. Então, como grande curiosidade, atirou-os no espaço. Eles caíram rua abaixo, sobre a cabeça de duas pessoas que passavam, matando-as imediatamente. O povo daquele país sentiu-se tão ultrajado que exigiu que o rei expulsasse Guru Rinpoche. Nesse mesmo dia, sem bagagem ou alimento, ele saiu sozinho para a floresta.
Essa criança curiosa havia aprendido uma poderosa lição sobre o funcionamento do mundo. A história conta que esse breve mas vívido encontro com o elogio e a culpa era tudo de que precisava para compreender o movimento do samsara na vida cotidiana. A partir desse momento, abandonou a esperança e o medo, e trabalhou com entusiasmo para despertar os outros.
Também podemos viver assim. Em tudo que fazemos, podemos explorar esses pares opostos tão familiares. Em vez de cair automaticamente nos padrões habituais, podemos começar a perceber como reagimos quando alguém nos faz um elogio. Como reagimos quando alguém nos culpa? Como reagimos quando perdemos alguma coisa? E quando achamos que ganhamos algo? Quando sentimos prazer ou dor, isso é simples? Apenas sentimos prazer ou dor? Ou existe todo um roteiro que se desenrola paralelamente?
Quando nos tornamos inquisitivos sobre esses fatos, olhamos para eles, vemos quem somos e o que fazemos com a curiosidade de uma criança, aquilo que parecia um problema transforma-se em fonte de sabedoria. Estranhamente, essa curiosidade começa a cortar pela raiz o que chamamos de sofrimento do ego ou egocentrismo e enxergamos com mais clareza. Normalmente, somos levados por eles em qualquer dessas direções, reagimos com nosso estilo habitual e nem ao menos percebemos o que está acontecendo. Antes de nos darmos conta, já escrevemos uma novela sobre os grandes erros de alguém, sobre nossos grandes acertos, ou sobre nossas justas razões para conseguir isso ou aquilo. Quando começarmos a compreender esse processo como um todo, ele se torna muito mais leve.
Somos como crianças construindo um castelo de areia. Nós o enfeitamos com lindas conchas, pedaços de madeira e caquinhos de vidro colorido. O castelo é nosso, sabemos que, inevitavelmente, ele será levado pela maré. O truque está em desfrutar dele ao máximo, sem se apegar e, quando chegar uma onda, deixar que ele se dissolva no mar.
Permitir que as coisas se dissolvam é, às vezes, chamado de desapego, mas sem a qualidade fria e distante que freqüentemente se associa a essa palavra. Neste caso, o desapego inclui mais bondade e profunda intimidade. Na verdade, é um desejo de conhecer semelhante à curiosidade de uma criança de três anos. Queremos conhecer nossa dor para podermos parar de fugir interminavelmente. Querer conhecer nosso prazer para podermos parar de agarrar continuamente. Então, de algum modo, nossas perguntas tornam-se mais amplas e nossa curiosidade, mais vasta. Queremos entender a perda, de modo que possamos compreender os demais quando sua vida desmorona. Queremos entender o ganho, para que possamos compreender outras pessoas quando estão encantadas ou quando se tornam arrogantes, empolgadas e envaidecidas.
Quando nos tornamos mais perspicazes e compassivos diante de nossas próprias dificuldades, espontaneamente sentimos mais ternura pelos outros seres humanos. Ao conhecer nossa própria confusão, ficamos mais dispostos e capazes para colocar a mão na massa e tentar aliviar a confusão dos outros. Se não olharmos para a esperança e o medo, observarmos os pensamentos que surgem e a reação em cadeia que se segue — se não nos treinarmos para ficar sentados, unidos a essa energia, sem sermos tomados pelo drama —, vamos sempre sentir medo. O mundo em que vivemos, as pessoas que encontramos, os seres que surgem no vão da porta — tudo vai se tornar cada vez mais ameaçador. Portanto, começamos simplesmente olhando para nossos próprios corações e mentes. Provavelmente, começamos a olhar porque nos sentimos inadequados ou estamos sofrendo e queremos entrar nos eixos. Gradualmente, entretanto, nossa prática evolui. Começamos a compreender que, assim como nós, outras pessoas estão também sendo fisgadas pela esperança e medo. Por toda parte, vemos a angústia causada pela crença nos oito dharmas materiais. Fica também bastante óbvio que as pessoas precisam de ajuda e que não há como ajudar alguém sem antes começar consigo mesmo.
Nossa motivação para a prática começa a mudar e desejamos nos tornar mais suaves e sensatos pelo bem de outras pessoas. Ainda desejamos ver como nossa mente funciona e como somos seduzidos pelo samsara, mas não mais apenas por nós mesmos. Passa a ser por nossos companheiros, filhos, chefes — pelo dilema humano em sua totalidade.
Pema Chödrön, no livro ”Quando tudo se desfaz”.
”A tradição budista lida com as suposições sobre a prioridade para o sucesso com um diagnóstico diferencial de oito partes chamado de “as oito preocupações mundanas”, oito direções para a busca da felicidade baseadas em suposições não investigadas. A fixação nessas preocupações subverte nossos melhores esforços, conduzindo ao sucesso falso ou frustração real.
As oito preocupações mundanas consistem em quatro pares de prioridades: buscar aquisições materiais e evitar sua perda; buscar o prazer dirigido pelo estímulo e evitar o desconforto; buscar o elogio e evitar a crítica; e manter a boa reputação e evitar a má reputação. Essas oito preocupações resumem, em geral, nossa motivação pela busca da felicidade, e este é exatamente o problema. As oito preocupações mundanas — que não são erradas em si — são a base de nossa motivação, e é a motivação, mais do que qualquer outro fator, que determina o resultado da prática espiritual.
Não há nada de errado em adquirir bens materiais — um carro, uma casa; e, inversamente, a pobreza não é necessariamente uma virtude. Não há nada de errado em aproveitar um pôr-do-sol, um bom livro, uma conversa agradável ou uma bela música. Não é errado ser elogiado. Ser amado e respeitado pelos outros também não é errado.
Por outro lado, não é ruim ser criticado pelos outros se você estiver levando uma vida benéfica e significativa. Muitos praticantes bem-sucedidos no darma estão contentes e felizes vivendo em total pobreza. A reputação pode melhorar e piorar, mas é possível que o contentamento permaneça constante. A verdadeira fonte da felicidade não está no domínio das oito preocupações mundanas. Ricos, pobres, elogiados, criticados, estimulados, entediados, respeitados, ultrajados — nenhuma dessas preocupações mundanas em si são fonte de felicidade. Nem impedem a felicidade.
O problema é que, quando nos concentramos nas preocupações mundanas como um meio para a felicidade, a vida se torna um jogo de dados. Não há garantias. Se você aspira à riqueza material, pode não conquistá-la, e se conseguir, não há garantias de que será feliz. Se aspira ao prazer, quando o estímulo acabar, a satisfação também terminará. Não existe felicidade duradoura em sair correndo atrás do prazer. As pessoas que são respeitadas e famosas tendem a ter os mesmos problemas pessoais que as outras.
A deficiência fatal das oito preocupações mundanas é que elas são Darma falsificado, modos mal dirigidos de buscar a felicidade e — ao confundir habitualmente as preocupações mundanas com o Darma genuíno — nossos esforços para atingir a felicidade genuína são continuamente sabotados.”
Alan Wallace, no livro ”Budismo com Atitude”.
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domingo, 6 de julho de 2014
MENSAGEM DE FÁBIO PARA CLAUDIA NO CENTRO ESPÍRITA ANA VIEIRA
-Minha amada Claudia!
-A alegria tomou conta do meu coração.
-O ambiente, as músicas, a alegria preencheu o meu ser imensamente.
-Querida a saudades é imensa.
-Tudo foi tão rápido...
-Saiba que Deus é justo, e nós é que não entendemos o seu propósito, e nos prendemos a essa vida na Terra.
-Achamos que fazemos o nosso melhor, que somos inocentes, e infelizmente nos achamos coitados.
-Engano minha querida.
-Muitas vidas já vivemos.
-Não é um castigo o que nos acontece.
-É um aprendizado.
-É uma forma de vivenciar sentimentos que em outras não conseguimos dar bem, ou mesmo não demos valor.
-Busque o conhecimento, pois ele nos dá condições de vivenciar com mais leveza e sabedoria.
-Coloque sempre Jesus em seu coração, e dê o seu melhor.
-Tudo passa...
-Força e esperança.
-Estou torcendo por você.
-Amo todos. Diga que estou com saudades.
-Amo, amo você!
-Fábio
09/11/2.013
quarta-feira, 25 de junho de 2014
BUDISMO E PSICANÁLISE: IMPERMANÊNCIA E INCONSCIENTE
A busca pelo conhecimento de si e a abordagem holística do ser humano e do mundo são apenas alguns dos aspectos comuns entre psicanálise e budismo
A busca pelo conhecimento de si e a abordagem holística do ser humano e do mundo são apenas alguns dos aspectos comuns entre psicanálise e budismo
Que pode haver em comum entre uma tradição religiosa de 25 séculos nascida na Índia uma sociedade de castas altamente hierarquizada e marcada pela visão holística do mundo e uma prática clínica inventada na Europa há pouco mais de 100 anos, surgida como expressão de uma cultura laica, racional e individualista? Se prestarmos atenção aos percursos históricos, aos vocabulários, a práticas e rituais e a certos objetivos específicos desses dois campos, podemos ver budismo e psicanálise como universos muito distintos: de um lado espiritualidade, contemplação e desapego ao eu, de outro teorias leigas, dispositivos clínicos e uma prática voltada para a ampliação da capacidade normativa do sujeito. No entanto, um olhar mais atento perceberá que por trás das aparentes diferenças há algumas afinidades muito importantes. Podemos citar pelo menos quatro.
O ponto de partida na experiência: tanto o budismo quanto a psicanálise partem da descrição e compreensão da experiência para desvelar a Natureza , o funcionamento do eu e para encontrar formas mais interessantes de lidar com os problemas. Aí se percebe um colorido fenomenológico comum a ambas as tradições porque seu centro (o que está sempre em questão, sendo observado e descrito) não é uma suposta natureza objetiva, acabada e independente é a experiência de si, do mundo, das relações com os outros, o modo como vivenciamos e interagimos com esses fenômenos.
A ênfase na ação: embora tenham produzido teorias complexas e arquiteturas conceituais muito sofisticadas, budismo e psicanálise são fundamentalmente saberes ligados a práticas, formas de intervir na existência. Tal como a filosofia era vista na Antigüidade, budismo e psicanálise são hoje instrumentos para agir no mundo, mais do que para simplesmente conhecê-lo. De ambos se poderia dizer o que o filósofo francês Georges Canguilhem disse a propósito da produção de conhecimento na medicina: o pathos precede o logos. É porque sofremos que somos instados a criar formas de descrever o eu, o mundo e a vida de modo que possamos transformar nossa existência, tornando-a mais interessante e digna de ser vivida.
O horizonte ético: em ambas as tradições, a reflexão teórica e as práticas delas decorrentes apontam necessariamente para uma mudança nas referências que configuram a maneira de conceber e viver a vida. O conhecimento de si está a serviço da transformação de si, voltada para a construção de uma vida mais criativa e livre de condicionamentos. Tanto no budismo quanto na psicanálise não faz sentido separar epistemologia e ética. Conhecer muito bem a história e os conceitos da doutrina de Buda não faz de ninguém budista. O que define alguém assim é a sua experiência (busca da iluminação por meio da compreensão do vazio e do cultivo da compaixão) e não os fundamentos teóricos que alguém é capaz de dominar. De modo semelhante, é possível que alguém freqüente o divã por anos a fio, a ponto de dominar o uso dos conceitos freudianos para descrever a si mesmo e suas relações com a vida sem que isso signifique que análise tenha de fato ocorrido. Esta só acontece quando tem lugar uma reorganização psíquica que testemunha uma transformação no modo como o sujeito se posiciona frente a seu desejo, a seus ideais e às expectativas e injunções que incidem sobre ele.
A perspectiva ecológica: tanto o budismo como a psicanálise rompem dualidades muito típicas do modo de pensar tradicional no Ocidente, que opõe sujeito e objeto, cérebro e mente, corpo e ambiente, interno e externo, eu e outro. Na perspectiva dos herdeiros de Buda e de Freud, cérebro, mente e mundo são vistos não como realidades independentes, mas como aspectos ou pontos de vista de uma mesma realidade, descritos com vocabulários diferentes. Estão, portanto, completamente imbricados uns nos outros, interagindo e influindo reciprocamente o tempo todo. A mente ou a experiência subjetiva emerge da ação do corpo no ambiente, é inscrita corporalmente (embodied) e está ancorada (embedded) no mundo físico e simbólico com o qual sustenta uma relação de afetação recíproca permanente. Budismo e psicanálise são, portanto, incompatíveis tanto com descrições mentalistas (nas quais o corpo é mero suporte da atividade do espírito) quanto com o reducionismo materialista, no qual a experiência de si é reduzida a seus correlatos biológicos ou físicos (depressão nada mais é do que disfunção de neurotransmissores).
É curioso observar como a ênfase na ação e nesta visão holística ou ecológica vem encontrando ressonância e tendo sua importância confirmada por estudos em várias áreas do conhecimento científico: investigações empíricas da psicologia do desenvolvimento, estudos sobre percepção com base nas teorias ecológicas do self, pesquisas neurocientíficas sobre a plasticidade neuronal e o impacto do ambiente na arquitetura cerebral, entre outros.
Além disso, budismo e psicanálise são campos plurais que abrigam tradições, movimentos e correntes de pensamento e de prática que se diferenciaram bastante. Depois de 25 séculos de existência, o primeiro desenvolveu grande número de escolas, hoje distribuídas basicamente em três grandes linhas. A psicanálise, com seus cento e poucos anos, também se desdobrou em algumas vertentes, das quais as mais relevantes atualmente são a lacaniana, a winnicottiana e a kleiniana.
Para a filosofia budista, tudo o que existe é impermanente: pessoas, objetos, experiências e sentimentos; quando mudam as causas, os fenômenos cessam
AS TRÊS MARCAS DA EXISTÊNCIA
Para o budismo, a análise da experiência de si, ou do eu, deve começar pela compreensão das três marcas da existência: a primeira é a impermanência (anitya), ou seja, a transitoriedade e a natureza condicionada de todos os fenômenos (do eu, dos objetos do mundo, de qualquer experiência, ou sentimento). Tudo o que existe é impermanente devido a sua natureza composta, o que significa que tudo depende de causas e condições para existir. Se essas cessarem, cessam também os fenômenos. Tudo está sujeito a aparecer e desaparecer.
A ausência de substância inerente, ou de existência independente, é a segunda marca da existência (anatman), também traduzida por não-substancialidade, não-essencialidade, ou não-eu. Como temos dificuldade em lidar com a impermanência e a não-substancialidade dos fenômenos e das formas, nos agarramos a eles, acreditamos e apostamos em sua permanência e substância.
Este apego é fonte de dukkha, outra marca da existência e a primeira das Quatro Nobres Verdades – pedra fundamental do budismo. Dukkha tem sido traduzido como sofrimento, mas a melhor sinônimo talvez seja insatisfatoriedade. A existência é inevitavelmente experimentada de forma alternada como boa ou má, feliz ou triste, promissora ou decepcionante. Tanto na alegria como na felicidade se encontram fontes de possíveis tristezas e dores (a perda de um ser querido, o fim de um amor). A experiência cíclica de satisfação e insatisfatoriedade é inevitável, já que desejos e anseios surgem naturalmente como decorrência do contato dos sentidos com o mundo ao redor. Este movimento (trishna, que significa sede, ânsia) compõe a segunda das Nobres Verdades (a causa da insatisfação), que é sucedida pelas duas outras Nobres Verdades: a percepção de que é possível superar o ciclo de sofrimento cíclico, e a compreensão do meio para alcançar esta liberação: o Caminho Óctuplo.
Com base nestas noções fica claro que para o budismo o eu, como todos os fenômenos, não tem substância, é uma combinação de vários elementos e tem uma natureza condicionada, sem essência e mutável. Trata-se de uma experiência em movimento, não uma entidade independente. Resulta da articulação de cinco elementos, os chamados cinco skandhas (amontoado, pilha, coleção): a forma (materialidade física do corpo), as sensações (causadas pelo contato com o mundo, ao qual não somos neutros), as percepções (discriminações decorrentes desses contatos), as formações mentais (disposições, conceituações, tendências da ação) e a consciência. Os skandhas são fluxos da existência que, uma vez articulados, produzem a experiência de si. Embora descritos separadamente, eles são na verdade um mesmo movimento, ou partes de um processo em curso. O eu, portanto, é vazio de essência própria. Aquilo que percebemos e veiculamos como personalidade, idiossincrasias, identidade e compulsões são na realidade efeitos da combinação desses agregados. É por causa de nossa ignorância (avídya, não-visão) sobre a natureza condicionada dos fenômenos que somos levados a atribuir solidez e permanência ao eu e a suas propriedades.
“Estudar o budismo é estudar o eu; estudar o eu é esquecer-se do eu; esquecer-se do eu é reconciliar-se com todos os seres.” A frase atribuída ao grande mestre zen do século XIII Dogen condensa muitas noções centrais do budismo: seu núcleo e ponto de partida é a análise da experiência (e seu aspecto mais sensível e fundamental é a experiência de si); ao compreender sua natureza não-substancial e transitória, abrimos caminho para uma transformação da experiência, na qual já não nos submetemos cegamente às causas e aos efeitos que nos atingem incessantemente; conquistamos um grau maior de liberdade em relação aos nossos próprios condicionamentos; por fim, ao reconhecermos a interligação e interdependência de todos os fenômenos e de todos os seres, podemos nos posicionar de modo diferente em relação a eles, sendo mais livres, mais criativos e mais compassivos. Assim, conhecimento, prática e posicionamento ético se imbricam naturalmente.
FICÇÃO DO EU
Para Freud, o eu é uma ficção necessária à ação. Em todas as suas versões, a psicanálise se baseia no desenvolvimento complexo dessa idéia. Na descrição freudiana, o ser humano é um animal que nasce prematuramente, em condição de dependência absoluta, desde cedo busca o amparo e a proteção necessários à sobrevivência, e é instado a responder a solicitações e injunções dos meios físico, biológico e cultural. O complexo processo de constituição de um eu capaz de se reconhecer como sujeito frente aos outros começa com os primeiros movimentos e ações do bebê, passa pelo mergulho da criança no universo das significações propiciadas pelo equipamento lingüístico e pela conquista de um lugar na cadeia de gerações e na divisão dos sexos e segue por toda a vida, ao longo da interminável trajetória de construção de narrativas e identificações com as quais o indivíduo dota de sentido sua existência pessoal.
A experiência de si, aos olhos da teoria freudiana, é o resultado complexo, mutante e inacabado de um equilíbrio instável entre um enorme conjunto de fatores, que vão das exigências conflitantes de instâncias internas (id, ego, superego), às difíceis mediações entre desejos inconscientes e normas sociais internalizadas, mecanismos de defesa contra a angústia, necessidades psicossomáticas e demandas produzidas culturalmente, e assim por diante. O eu da psicanálise é, portanto, fragmentado, governado por forças que não domina, uma montagem mais ou menos bem-sucedida que leva o sujeito a agir no mundo, buscar satisfações e lidar de alguma maneira com o desamparo, a angústia e o desejo. Ele é, para usar uma expressão do filósofo Daniel Dennett, um centro de gravidade: não tem substância, tudo nele deriva dos efeitos produzidos pelas interações com os outros aspectos significativos de sua história, com o ambiente natural e simbólico que o circunda, com as expectativas e desejos projetados sobre ele (mesmo antes que tivesse nascido, no desejo inconsciente dos pais). O eu é uma imagem (daquilo que vejo refletido no olhar do outro, daquilo que suponho poder causar no outro) e uma trajetória (de identificações, de configurações sintomáticas, de posicionamentos subjetivos frente aos outros) que resultam dessas interações e permitem ao sujeito projetar-se em um futuro.
Freud definiu a psicanálise como uma teoria do funcionamento subjetivo, um método de investigação da vida mental e uma forma de tratamento do sofrimento psíquico. Apesar da origem médica, ele sempre recusou a subordinação de sua criação às expectativas curativas da psicologia e da medicina. Em sua abordagem da experiência subjetiva não há lugar para uma normalidade cuja restituição seria o objetivo da prática clínica. Como somos em verdade montagens, arranjos sintomáticos mais ou menos bem-sucedidos, o que o dispositivo analítico pretende não é a simples redução ou eliminação de sintomas ou do sofrimento (isto se consegue de muitas outras maneiras, de sugestão a medicamentos), mas uma ampliação da normatividade do sujeito, ou seja, de sua capacidade de se reposicionar subjetivamente, de ser mais espontâneo e criativo na vida de que desfruta, não se fixando excessivamente a imagens do eu, respostas sintomáticas ou estereotipias da ação que limitam e estreitam seu horizonte existencial.
Este reposicionamento é alcançado na medida em que o dispositivo analítico oferece ao sujeito as condições para que ele se reconheça como autor de sua própria existência. Ao implicar-se no próprio sintoma que aparecia antes como um alien estranho e desconhecido a assombrá-lo, o sujeito amplia a percepção dos vários elementos e fatores que incidiram sobre seu percurso pessoal, sobre o papel de suas escolhas (conscientes ou inconscientes) na construção do eu que ele é, da vida que experimenta e do mundo que habita. Assim ele se habilita ao desprendimento de si, a ocupar sua existência com gestos mais espontâneos e menos autocentrados, mais criativos e menos auto-indulgentes. Deste ângulo, portanto, percebe-se que a psicanálise e o budismo se afirmam, por caminhos distintos, como saberes que visam a transformação da existência e como práticas que buscam a liberdade.
INTERESSE RENOVADO
Budismo e psicanálise ocupam posições diferentes no cenário contemporâneo. O primeiro é a religião ou prática espiritual que mais se expande no mundo, impulsionada por diversos fatores: a diáspora tibetana que espalhou mestres treinados por todo o Ocidente, o ativismo cosmopolita do Dalai Lama (a despeito do cerco promovido por autoridades chinesas), o apelo que as práticas corporais das espiritualidades asiáticas têm para culturas que privilegiam a atenção e o cuidado com o corpo, a posição não proselitista e não dogmática adotada pelos praticantes, a crítica às pretensões racionalistas da cultura ocidental etc.
Nas últimas décadas o budismo tem sido também alvo do interesse de certos ramos de ponta da ciência, em especial do campo das neurociências, interessadas em explorar a enorme riqueza de observações empíricas que sustentam os conceitos budistas sobre a mente. Porém, de um modo que não chega a ser surpreendente, o sucesso acarreta também embaraços: em muitos contextos a prática budista virou moda. É chique deixar-se fotografar em posição de lótus e exibir em casa estátuas ou imagens do seu repertório iconográfico. Há 25 séculos a serviço do desapego aos objetos e ao desprendimento de si, o budismo se vê freqüentemente transformado em técnica de otimização do desempenho com vistas ao sucesso individual. O filósofo Slavoj Zizek chegou a afirmar, provocativamente, que o budismo (do mesmo modo que outras espiritualidades orientais como o taoísmo) havia se tornado a ideologia ideal para os tempos neoliberais. De qualquer modo, ele vive hoje um processo de intensa difusão na cultura ocidental, tem sido menos visto como fenômeno asiático exótico e vem dialogando cada vez mais tanto com religiões ocidentais quanto com as ciências, em especial as neurociências.
A psicanálise, por sua vez, vive um momento de transição. Passada a década de 90, em que sofreu todo tipo de vaticínio sobre sua morte por obsolescência teórica e inutilidade prática, recrudesce o interesse por ela, tanto do lado das neurociências como da psicologia do desenvolvimento e as ciências da cognição. Abrem-se para a psicanálise territórios que haviam permanecido praticamente fechados durante quase todo o século passado, especialmente nos países do Leste europeu e na China. Por outro lado, um reposicionamento de seu lugar vem ocorrendo na sociedade ocidental. Se na cultura psicológica e da sentimentalidade ela ocupou papel de destaque na clínica mental e no campo social, na atual cultura somática e das sensações esse lugar está sendo disputado por outros dispositivos terapêuticos e teorias centrados no corpo e na capacidade de controlar, cognitiva ou quimicamente, disfunções e transtornos o que possui um claro efeito dessubjetivante, na medida em que tendem a desimplicar o sujeito de sua experiência. Hoje a psicanálise tornou-se um dos poucos campos nos quais os indivíduos ainda são interpelados não como meros seres biológicos ou agentes sociais, mas na condição de sujeitos. Por isso ela anda, por assim dizer, na contramão da cultura hegemônica. O que para uns pode parecer uma perda – o fascínio social de outrora se reduziu –, para outros é uma vantagem: a psicanálise retoma cada vez mais o caminho da investigação clínica, fonte mais fecunda de toda sua originalidade e interesse.
O diálogo entre budismo e psicanálise jamais foi tão intenso. Nunca houve tantas oportunidades para exploração de suas afinidades e diferenças. E isso interessa não só a seus praticantes, mas a todos os que se voltam à ampliação da caixa de ferramentas (como diria Wittgenstein) para lidar com a experiência de si e suas vicissitudes.
TRADIÇÕES BUDISTASÚnica remanescente das primeiras escolas, o budismo Theravada (“caminho dos anciãos”) predomina há séculos no Sri Lanka, Indonésia, Malásia e Sudeste asiático. Suas principais características são a ênfase na vida monástica, na disciplina individual em direção à iluminação e na concepção da natureza humana como obstáculo a ser ultrapassado.
O budismo Mahayana (“grande veículo”) originou-se na Índia e de lá se deslocou, a partir do século II, para a China, onde encontrou o taoís-mo. Daí disseminou-se para o leste da Ásia, tendo muita força no Japão, Vietnã e Coréia do Sul. Em contraste com o ascetismo doutrinário theravada, a tradição mahayana tem uma perspectiva mais universalista e inclusiva. Sua ênfase não está na busca individual pela iluminação, mas no esforço do bodhisatva de se dedicar ao objetivo de iluminação de todos os seres. Outra diferença é a concepção mahayana segundo a qual todos os seres têm potencial para atingir a iluminação. A natureza humana não é vista como obstáculo a ser vencido: há uma “natureza búdica iluminada” na humanidade, que precisa, por assim dizer, ser reencontrada por meio do rompimento do véu de aparência dos fenômenos, e não propriamente alcançada pelo esforço de superação. A escola mahayana mais conhecida é o Zen, cujas características essenciais são a recusa violenta a intelectualizações e estratégias gradativas de caminho espiritual. Suas práticas fundamentais são o zazen (meditação contemplativa que visa colocar o praticante em contato direto com a realidade), o uso (na vertente Rinzai) do koans, na busca do satori (realização súbita da iluminação).
O budismo Vajrayana (“veículo do diamante”), ou budismo tântrico, é uma extensão do Mahayana e se caracteriza pela adoção de certas técnicas e práticas próprias. Está presente no Tibete, Nepal, Butão, Mongólia e, com a diáspora provocada pela invasão do Tibete, tem seu centro em Dharamsala, norte da Índia, sede do governo no exílio, de onde o Dalai-Lama projeta sua presença no mundo. Por se caracterizar por um profundo esoterismo, o budismo Vaj-rayana é cheio de símbolos, imagens e práticas devocionais, além de ensinamentos secretos, passados direta e oralmente pelo mestre ao discípulo. Em contraste com o Zen, algumas de suas práticas são explicitamente voltadas para o exercício ou cultivo da compaixão como a metta bhavana, uma forma de meditação dirigida ao abandono de sentimentos de apego e aversão e o desenvolvimento da amorosidade ou da fraternidade.
Com a difusão no Ocidente, o budismo tem dialogado com tradições filosóficas locais, resultando na construção de versões contemporâneas e ocidentais, como o budismo agnóstico defendido por Stephen Batchelor, que propõe uma descrição dos ensinamentos budistas de corte mais secular e existencialista que religioso.
ESCOLAS PSICANALÍTICAS
Os três maiores protagonistas no cenário psicanalítico pós-freudiano são Melanie Klein, Donald Winnicott e Jacques Lacan. Cada um desenvolveu o legado freudiano a seu modo, acrescentando contribuições originais na teoria e na clínica. Klein ampliou o alcance da psicanálise ao pesquisar a vida mental dos bebês e propor inovações no tratamento de crianças (como o uso da brincadeira como forma de atingir complexos inconscientes), e ao fundar a análise das relações objetais, centro de sua investigação teórico-clínica.
Winnicott, que inicialmente se alinhava com Klein, aos poucos se desprendeu de sua influência e enfatizou a importância dos primórdios da vida psíquica infantil, uma fase na qual as relações de objeto ainda estão por se formar, decisiva no processo de amadurecimento pessoal. Essa etapa seria anterior às relações ditadas pela lógica pulsional, e seu motor não seria propriamente a sexualidade (uma tese, portanto, que o distingue de Freud), mas outra força econômica do psiquismo: a agressividade primária, mais próxima da vitalidade dos tecidos que das tramas conflitivas interpessoais, que só emergem posteriormente. Leitor e admirador de Charles Darwin, Winnicott construiu uma psicanálise de forte matiz naturalista, em que noções como as de desenvolvimento, maturação e psique-soma são centrais. Tanto na teoria como na prática, sua ênfase está na idéia de continuidade na vida psíquica, em que os traumas são situações nas quais essa continuidade é ameaçada. Sua obra tem sido alvo de interesse renovado nos últimos anos.
Lacan voltou-se para a lingüística de Saussure e para a antropologia de Lévi-Strauss para produzir uma versão estruturalista da psicanálise, com um grande número de inovações teóricas (a tríade real, simbólico e imaginário; o objeto a; a noção de lalíngua etc.) e um remanejamento profundo do dispositivo clínico (o tempo lógico, a lógica do significante). Na perspectiva lacaniana, o que se põe como central na transformação da vida subjetiva é a descontinuidade, a precipitação, o salto – situações traumáticas podem ser constitutivas e não ameaçadoras. Recentemente vem sendo valorizada a última parte de sua obra, em que o estruturalismo e a importância concedida à linguagem cederam lugar a uma reflexão sobre o campo do pré-reflexivo ou do não-discursivo na vida subjetiva.
Fonte: Revista Mente e Cérebro
Benilton Bezerra Jr. é psiquiatra, psicanalista e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
sexta-feira, 9 de maio de 2014
SETE PENSAMENTOS QUE DIFEREM OS RICOS DOS DEMAIS
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SÃO PAULO - Eles não têm apenas mais dinheiro que a maioria das pessoas. Os ricos realmente pensam de forma diferente dos demais e esse é um dos motivos pelos quais eles chegaram à riqueza, de acordo com o Business Insider.
“Eu trabalhei com ricos por mais de 30 anos e percebi que o jeito de pensar ajudou a ganhar e manter sua fortuna”, disse o especialista em finanças pessoais, Neal Frankle.
De acordo com Frankle, a boa notícia é que qualquer um pode aprender, seguir o “pensamento dos ricos” e turbinar as chances de se juntar a eles. Confira abaixo o que pessoas ricas pensam diferente das demais:
1. Ricos admitem que não sabem de tudo
Eles são bons no quesito ganhar dinheiro, mas nem por isso eles têm o poder de estarem sempre certos. Como resultado, os ricos estão sempre à procura de novas e melhores maneiras de agir e de pensar e estão dispostos a considerar novas ideias. “Quanto eles estão errados, geralmente não rebatem ou levam pro pessoal”, acrescenta Frankle.
Eles são bons no quesito ganhar dinheiro, mas nem por isso eles têm o poder de estarem sempre certos. Como resultado, os ricos estão sempre à procura de novas e melhores maneiras de agir e de pensar e estão dispostos a considerar novas ideias. “Quanto eles estão errados, geralmente não rebatem ou levam pro pessoal”, acrescenta Frankle.
2. Fazem as perguntas certas
Não precisa ser um gênio para fazer as perguntas certas, basta não ser preguiçoso. “Isso porque é preciso pensar bem para obter todas as respostas de perguntas que você precisa fazer para entender uma determinada situação.”
Não precisa ser um gênio para fazer as perguntas certas, basta não ser preguiçoso. “Isso porque é preciso pensar bem para obter todas as respostas de perguntas que você precisa fazer para entender uma determinada situação.”
Os ricos também definem bem perguntas em relação à vida pessoal e profissional, como “o que realmente eu quero?’, “porque eu quero isso?” e “o que acontece se eu fizer isso”, entre outras.
3. Têm disposição para trabalhar
A maioria dos ricos está disposta a superar os obstáculos para alcançar seus objetivos.
A maioria dos ricos está disposta a superar os obstáculos para alcançar seus objetivos.
4. Têm paciência e determinação
Metas dignas têm seu tempo para serem alcançadas. Os ricos entendem isso e permanecem no caminho, enquanto outras pessoas ficam frustradas quando não obtêm resultados a curto prazo e desistem de seguir em frente. Em resumo, eles sabem persistir para realizar seus sonhos.
Metas dignas têm seu tempo para serem alcançadas. Os ricos entendem isso e permanecem no caminho, enquanto outras pessoas ficam frustradas quando não obtêm resultados a curto prazo e desistem de seguir em frente. Em resumo, eles sabem persistir para realizar seus sonhos.
5. Têm auto-crítica
Uma pessoa bem-sucedida se pergunta sobre suas ações e se cobra para sempre melhorá-las. Se ela acha que está indo para o caminho errado, ela corrige o curso. Já pessoas menos eficazes raramente se auto-avaliam. Como resultado, elas são mais improdutivas.
Uma pessoa bem-sucedida se pergunta sobre suas ações e se cobra para sempre melhorá-las. Se ela acha que está indo para o caminho errado, ela corrige o curso. Já pessoas menos eficazes raramente se auto-avaliam. Como resultado, elas são mais improdutivas.
6. Não criticam os outros
Pessoas pequenas não deixam passar a chance de criticar. Elas simplesmente adoram encontrar falhas e defeitos em outras pessoas. “Claro que existem pessoas com dinheiro que são até piores do que isso. Mas muitos ricos, que fizeram suas próprias fortunas, fazem exatamente o oposto."
Pessoas pequenas não deixam passar a chance de criticar. Elas simplesmente adoram encontrar falhas e defeitos em outras pessoas. “Claro que existem pessoas com dinheiro que são até piores do que isso. Mas muitos ricos, que fizeram suas próprias fortunas, fazem exatamente o oposto."
Eles aproveitam as chances para elogiar os outros e trabalham duro para suavizar os defeitos alheios. “Isso fortalece as alianças e contatos, constrói equipes e motiva todos a sua volta. Todo mundo ganha.”
7. Dão prioridade ao próximo
Um estudo feito com centenas de americanos ricos revelou que quase sem exceção, todos se concentravam em ajudar os outros a conseguirem o que querem. “Foi esse foco fanático no cliente que fez desses homens e mulheres pessoas de sucesso.”
Um estudo feito com centenas de americanos ricos revelou que quase sem exceção, todos se concentravam em ajudar os outros a conseguirem o que querem. “Foi esse foco fanático no cliente que fez desses homens e mulheres pessoas de sucesso.”
“Se você está buscando uma palavra pra resumir como os ricos pensam, ela é humildade”, disse. “Quem é verdadeiramente rico e humilde se faz perguntas, admite erros e os tenta corrigi-los, é prestativo e sabe valorizar outras pessoas”, conclui o especialista.
sábado, 3 de maio de 2014
IMAGENS QUE VALEM MAIS QUE MIL PALAVRAS
Existe uma expressão bem conhecida que diz "uma imagem vale mais que mil palavras." Há uma razão para esta palavra ser tão popular, e há coisas que não podem serem descritas em palavras.Explicar o que sentimos é uma forma de transmitir uma mensagem. Outra maneira é mostrar que é visualmente, e isso pode até ser mais eficaz e mais poderoso do que a anterior.
Aqui estão algumas fotos de um casal de idosos. É quase a mesma foto no mesmo lugar, mas o que muda é o tempo. As fotos foram tiradas durante várias temporadas. O resultado é que sem o uso de uma palavra, as imagens contam uma história de amor inabalável. Imagens com cargas de emoções, com pequenas diferenças de cada temporada.Sentimentos de alegria, esperança, medo e até mesmo vazio; todos os presentes com a passagem inexorável do tempo. Sem dúvida, esta é uma mensagem de força e empenho contada com exclusividade. Certamente toda a série, você também se comoverá com esta mensagem inspiradora.
Este é realmente um lindo casal. Vivendo juntos e continuando a sorrir em cada dia
O cenário das fotos é sempre o quintal de sua própria casa, rodeado por flores e legumes 
Esta é verdadeiramente uma forma única para observar a passagem do tempo e seus efeitos.
Nas fotos você pode ver as pequenas e grandes diferenças emergentes ao redor.
As mudanças na paisagem, flores, secas e continuando a renascer.
Os edifícios que parecem nunca mudar, também tem pequenas diferenças.
Mas as diferenças entre os rostos e expressões destes agradáveis idosos é mais impressionante.
Essa vontade já tive! Veja que tirar fotos na chuva é admirável ...
Isso mostra que eles são trabalhadores duros e desfrutam de cuidar de seu jardim. Os joelhos cheios de terra nos dizem quem são os responsáveis por manter tudo.
Um verdadeiro testamento de amor incondicional e compromisso junto.
O jardim é seco, mas há sempre a esperança de uma nova primavera.
Embora nem todos possam vê-lo .. e vamos pegar a estrada. A mensagem mais importante é que o amor sobrevive a qualquer adversidade, mesmo na distância e perda.
Speechless. No final, não há palavras para expressar o que este homem se sentiu na última foto. Na vida existem todos os tipos de amor: casais, pais, irmãos, amigos ... são aqueles que partilham a vida e todas as estações ao seu redor; a partir da primavera refrescante para invernos rigorosos. Compartilhe esta história com aqueles que prometem amar até a morte e além.
Atualização: Estas imagens podem ser um fotógrafo chamado Ken Griffiths, publicado originalmente na revista do The Sunday Times, em 1973, e vários outros detalhes da história estão sendo verificadas ..
Fonte: viralnova.com
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