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terça-feira, 28 de outubro de 2014

SHUNGIT

A Shungit é um mineral também conhecido como ' a pedra inteligente ' ou ' o buraco negro ' graças às suas propriedades de atracção da energia electromagnética. É um mineral natural carbonoso que se encontra nos campos da Rússia. Suas propriedades e aplicações se estão a desenvolver em campos científicos da nanotecnologia e a luta contra o cancro. Após investigações científicas foi declarado como um mineral único e componente principal da nova medicina do século XXI. Isto é porque é o único mineral da terra que contém fullereres, elemento fundamental na luta contra o cancro. Esta pedra absorve e eliminar o que é nocivo para as pessoas e seres vivos. Se descobriu que a água tratada com a Shungit ajuda a combater determinadas doenças como o stress, regula as funções do fígado, intestinais e renais ; alivia dores de cabeça, costas, reumatismos ; norteia o sonho e a tensão arterial e aumenta a vitalidade. O contacto com a Shungit, ao ser um mineral de alta frequência, acelera os processos, tal como a liquidação do karma, descarga os conflitos, limpa de energias parasitárias, etc. Deixamos algumas imagens da Shungit nas suas formas mais conhecidas. :) Foto de Crónicas Para Despertar. Foto de Crónicas Para Despertar. Foto de Crónicas Para Despertar. José Bento Rodrigues Garcia CurtirCurtir · · Compartilhar 10 pes

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A PESSOA MAIS IMPORTANTE DA MINHA VIDA

Depois de DEUS, o ser humano mais importante na minha vida é minha MÃE, criatura que me gerou, carregando-me em seu ventre durante 9 meses, deu a luz (nome bem apropriado para esse ato, porque é uma luz em nossas vidas), e me cobriu de amor, carinho e afeto, e até hoje nunca me desapontou. Se privou de muitas coisas para poder doar, e ainda até hoje tem esse comportamento. Salvo algumas excessões, nossa mãe é o verdadeiro ANJO DA GUARDA, que nos coloca no mundo, e nós seres humanos muito indefesos quando bebês, somos vigiados incansavelmente por essa criatura angelical, que nos defende de todos os perigos, de todas as mazelas que a vida coloca em nossa frente. MÃE, ser iluminado que tira forças das profundezas de suas entranhas, e diuturnamente, incansavelmente, está sempre disposta a fazer o que pode, e o que não pode para poder se doar em prol de um filho(a). Nessa época, desse ano eleitoral, quando vemos na mídia tanta hipocrisia, tanta mentira, tantos ataques entre os candidatos fiquei imaginando, se esses seres despresíveis tivessem a ombridade de enxergar 10% do que uma verdadeira mãe sente por um filho(a), em relação ao seu próximo, acho que estaríamos implantando o paraíso aqui no Brasil. Eis aqui uma pequena homenagem à minha querida e amada MÃE, que ainda tenho o privilégio de conviver. Quem não tem a sua, reze um pai nosso por ela, imaginando um abraço bem apertado, e que esse abraço caiba nessa fração de tempo por toda a ETERNIDADE. E que nesse instante mágico duas pessoas visitem o CÉU. ON SHANTI (paz interior)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ESTAMOS SÓ DE PASSAGEM

André Luiz Só de passagem A expressão Estou só de passagem, ao se referir à vida física, atesta que a pessoa tem convicção imortalista. Ela sabe que é breve sua passagem pelo planeta. Mesmo que chegue aos cem anos, se considerar a eternidade, é um lapso temporal breve. A pessoa, que assim se expressa, manifesta a convicção de quem tem os olhos postos no futuro. Vive no mundo, mas com a inabalável certeza de que sua preocupação deve ser com o Espírito imortal, esse que sobreviverá à morte corporal. Se isso é louvável, um detalhe, no entanto, não pode ser esquecido. É que a vida corporal é etapa imprescindível ao progresso do Espírito. É na carne que se experimentam as provas. É nas vicissitudes da vida que o Espírito cresce, utilizando sua inteligência e criatividade, para superar transtornos e desafios. Isso nos diz que os mundos materiais são importantes. São moradas, estâncias, onde o Espírito se reveste de carne e habita. E progride. Dessa forma, há que se considerar o que estamos fazendo com o planeta, enquanto nos encontramos somente de passagem. O que estamos fazendo com nossa morada, lar, escola? Estamos auxiliando na sua conservação ou somos dos que não nos preocupamos com coisa alguma porque logo estaremos partindo? Seria importante nos perguntarmos se estamos colaborando com as medidas de sustentabilidade do planeta. Coisas simples, como diminuir o impacto ambiental, substituindo plástico por outros materiais menos agressivos ao meio ambiente. É de nos indagarmos se somos dos que, a cada vez que nos servimos de água, nos bebedouros do escritório, da empresa, apanhamos um novo copo plástico. Já nos preocupamos com o meio ambiente e temos nosso próprio copo de vidro, para uso particular, no local de trabalho? Ou, ao menos, nos servimos de um único copo plástico, durante todo o dia? Lembramos de utilizar a impressão de documentos, artigos e tudo o mais, somente quando imprescindível, poupando árvores? Recordamos de utilizar a folha de papel de ambos os lados? De reutilizar papel escrito em uma só face, transformando-o em bloco de anotações ou lembretes? Preocupamo-nos com a separação do lixo orgânico do lixo reciclável? São coisas pequenas, mas que têm muita importância. Não podemos nos esquecer que estamos de passagem, mas nossos filhos, netos, quanto tempo mais terão sobre a Terra? E, além disso, um detalhe importante: pela lei da reencarnação, deveremos retornar em algum momento. Já pensamos em como desejamos encontrar o planeta, nesse retorno? O que fazemos reflete no todo. E não nos preocupemos com os que não colaboram. Poderão aprender com nosso exemplo. Enquanto isso, sejamos como a ave que, levando gotas de água em suas asas, tenta apagar o incêndio na floresta. Em resumo: façamos nossa parte. A propósito, já plantamos uma árvore, em nossa vida? Semeamos um jardim? Pensemos nisso. Pensemos nisso.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PESSOAS SÃO COMO MÚSICAS

Pessoas são músicas, você já percebeu? Elas entram na vida da gente, e deixam sinais. Como a sonoridade do vento ao final da tarde. Como os sons dos violinos tocando músicas celestes, presentes em cada clarão da manhã. Olhe a pessoa que está ao seu lado, e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar. Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas, interpretadas. Para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas. E de poderem alçar todos os voos, de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que a elas foi dado pelo COMPOSITOR. Pessoas são músicas como você. Está ouvindo? Pessoas têm que fazer sucesso. Mesmo que não estejam nas paradas. Mesmo que não toquem no rádio. Autor desconhecido

terça-feira, 26 de agosto de 2014

MEDITAÇÃO E CURA

BudismoCausas da FelicidadeCausas do SofrimentoMeditaçãoMomento Presenteset 16, 2013 43 3324 4.9K Flares 4.9K Flares × Geralmente, se você tem um falatório mental, chama isso de pensamentos. Mas se está profundamente envolvido em algo emocional, você dá prestígio especial a isso. Você pensa que esses pensamentos merecem o privilégio especial de serem chamados de “emoção”. De alguma maneira, nos domínios da mente de fato, as coisas não são assim. O que quer que surja são apenas pensamentos: pensar que estamos com tesão, pensar que estamos com raiva. No que concerne à prática da meditação, seus pensamentos não são mais tratados como VIPs, enquanto você medita. Você pensa, você medita; você pensa, você medita; você pensa, você medita. Você tem pensamentos, você tem pensamentos sobre pensamentos. Deixe que seja assim. Chame-os de pensamentos. Chogyam Trungpa (Tibete, 1939 – Canadá, 1987) Meditação e Cura A meditação (chamada dhyana em sânscrito e zen em japonês) é o cerne da prática budista. O objetivo da meditação é ajudar o praticante a chegar a uma compreensão profunda da realidade. Esta introspecção tem a capacidade de libertar-nos do medo, da ansiedade e da depressão. Pode produzir compreensão e compaixão, pode elevar a qualidade de vida e trazer liberdade, paz e alegria para nós mesmos e para as pessoas ao nosso redor. Sobretudo na última parte do século XX, as pessoas do Ocidente começaram a voltar sua atenção para a meditação. O conforto material do Ocidente não é suficiente para trazer felicidade. Nossas mágoas, nossas preocupações e nossos problemas só podem ser resolvidos mediante uma vida espiritual. O budismo e a prática da meditação estão indicando atualmente a um maior número de pessoas um caminho para responder a estas dificuldades. A meditação sentada é a forma mais comum de meditação, mas também podemos praticá-la em outras posições como caminhando, em pé ou deitados. Quando lavamos roupa, cortamos lenha, regamos as plantas ou dirigimos o carro – onde quer que estejamos, o que quer que façamos, seja qual for a posição de nosso corpo, se as energias da mente alerta, da concentração e da introspecção estiverem presentes em nossa mente, em nosso corpo, então estamos praticando a meditação. Não precisamos ir a um templo, a uma igreja ou a um centro de meditação para meditar. Viver em sociedade, ir ao trabalho todo dia, cuidar de nossa família também são oportunidades de praticarmos a meditação. A meditação tem o efeito de nutrir e curar o corpo e a mente. E devolve ao praticante e às pessoas que o cercam a alegria de viver. (…) A meditação é especialmente indicada para nos ajudar naquilo que o budismo chama de nós interiores e de complexos de identidade. Esses grilhões nos impedem de estar conscientes no momento atual. Os nós interiores são um conjunto de ilusões, repressões, medos e ansiedades que se fixaram nas profundezas de nossa consciência. Eles são capazes de nos constranger e nos levar a fazer, dizer e pensar coisas que na realidade não queremos fazer, dizer ou pensar. Os nós interiores são plantados e alimentados por nossa ausência da mente alerta durante a vida de todo dia. Os dez nós interiores principais são: ganância, ódio, ignorância, vaidade, desconfiança, fixação no corpo como se fosse o eu, pontos de vista extremados e preconceitos, apego a ritos e rituais, ânsia de imortalidade, desejo ardente de manter as coisas exatamente como são. Nossa saúde e nossa felicidade dependem em grande parte de nossa habilidade de transformar esses dez grilhões. A mente alerta tem a capacidade de reconhecer os nós interiores quando eles aparecem em nossa consciência. Esses nós interiores se formaram no passado, às vezes foram energias habituais a nós transmitidas por nossos pais e avós. Não precisamos voltar ao passado e cavar nas lembranças, como se faz na psicologia, para descobrir as raízes dessas partes turvas e emaranhadas de nossa mente. A energia da mente alerta é capaz de reconhecer as formações interiores quando elas se manifestam e olhar profundamente para dentro delas, de modo que podemos ver as raízes desses nós emaranhados. A prática da meditação nos ajuda a ver a interconexão e a interdependência de tudo o que existe. Não há fenômeno, seja ele humano ou material, que possa aparecer por si só e durar por si só. O fato é que uma coisa depende da outra para surgir e durar. Esta é a introspecção da interdependência, às vezes chamada também de inter-ser ou não-eu. Não-eu significa que não há uma entidade permanente separada. Todas as coisas estão em constante mutação. Pai e filho, por exemplo, não são duas realidades separadas. O pai existe no filho, e o filho existe no pai. O filho é a continuação do pai no futuro, e o pai é a continuação do filho no passado da fonte. A felicidade do filho está ligada à felicidade do pai. Se o pai não é feliz, a felicidade do filho não pode ser perfeita. A natureza de todas as coisas é não-eu. Não’ há um eu separado e independente. No âmbito da psicoterapia, a baixa auto-estima é considerada doença. Na prática da mente alerta, tanto a baixa quanto a alta auto-estima e também a necessidade de julgar-se exatamente igual às outras pessoas também são consideradas doenças ou, como dizemos no budismo, complexos. Todos esses três complexos se baseiam na idéia de um eu separado. Baseiam-se todos no orgulho: orgulho de ser melhor, orgulho de ser pior e orgulho de ser igual. O sofrimento que nasce da raiva, da inveja, do ódio e da vergonha só pode ser completamente transformado quando chegamos à introspecção do não-eu. Este é o fundamento da prática da cura na meditação. “As razões mais profundas para amar a si mesmo não tem nada a ver com nada fora de você – não com o seu corpo ou com as expectativas que os outros têm de você. Se você entrar em contato com sua própria bondade, nada será capaz de prejudicar a sua auto-estima.” Karmapa O mestre zen Thuong Chieu, do Vietnã do século XI, disse que, se conhecêssemos o caminho das atividades da mente, a prática da meditação seria fácil. A escola de budismo da Consciência Somente (Consciousness Only) fala de oito espécies de consciência: as consciências dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato); consciência da mente; manas (consciência da identidade) e depósito de consciência. Manas é a energia ligada à idéia de que existe um eu separado, independente e duradouro, oposto àquelas coisas que não são o eu. A consciência alaya, ou depósito de consciência, é semelhante a um jardim que contém todo tipo de sementes; e a consciência da mente é semelhante ao jardineiro. Quando praticamos a meditação, a consciência da mente está trabalhando, mas o depósito de consciência também está trabalhando secretamente dia e noite. A mente inconsciente da psicologia ocidental é apenas uma parte do depósito de consciência. Se conseguirmos reconhecer e transformar os nós interiores que estão no fundo de nossa consciência, isto levará à liberdade e à cura. Isto se chama transformação na base (asrayaparavritti). Significa a transformação que ocorre justamente na subestrutura da consciência. Quando nossos desejos, medos e sentimentos de indignação são reprimidos, ficam quais sementes que não recebem o oxigênio nem a água de que precisam para crescer e se transformar em algo belo; e podemos experimentar, tanto no corpo como na alma, sintomas que se originam desse bloqueio. Apesar dessas formações mentais terem sido reprimidas, ainda têm a função de nos prender e dirigir, tornando-se assim nós interiores muito fortes. Temos o hábito de virar-lhes as costas, agindo como se elas não existissem, e é por isso que elas não têm oportunidade de emergir e aparecer em nossa consciência mental. Procuramos esquecer, consumindo mais coisas. Não queremos encarar esses sentimentos de dor e de abatimento. Queremos preencher a área da consciência mental de modo que o espaço todo seja ocupado e os sentimentos de pesar que estão no fundo não encontrem lugar para se manifestar. Assistimos aos programas de televisão, ouvimos rádio, folheamos livros, lemos jornais, conversamos, jogamos cartas e bebemos bebidas alcoólicas, tudo para esquecer. Quando nosso sangue já não pode circular, aparecem sintomas de doenças em nosso corpo. Da mesma forma, quando as formações mentais são reprimidas e não podem circular, começam a aparecer sintomas de doenças físicas e mentais. Precisamos saber como parar com a repressão, para que as formações mentais de desejo, medo, indignação, etc. tenham oportunidade de se manifestar, ser reconhecidas e transformadas. Cultivar a energia da mente alerta através da meditação pode ajudar-nos a fazer isso. Praticar a mente alerta através da prática diária da meditação vai ajudar-nos a reconhecer, acolher e transformar nossos sentimentos de sofrimento. Quando reconhecemos e acolhemos essas formações mentais, em vez de reprimi-las, sua energia negativa diminui um pouco. Contudo, meditar sobre essas formações mentais por cinco ou dez minutos pode ajudar. Na próxima vez que surgirem, serão novamente reconhecidas e acolhidas e voltarão ao depósito de consciência. Se permanecermos nesta prática, não mais temeremos nossas formações mentais negativas, não mais as empurraremos para baixo ou as reprimiremos como fizemos até agora. A boa circulação em nossa mente pode ser restabelecida e as complicações psicológicas que causam bloqueios no corpo podem desaparecer aos poucos. A mente alerta é sobretudo a capacidade de simplesmente reconhecer a presença de um objeto sem tomar partido, sem julgar, sem cobiçar e sem desprezar este objeto. Por exemplo, suponhamos que exista um lugar dolorido em nosso corpo. Com a mente alerta, nós simplesmente reconhecemos esta dor. Isto pode ser um tipo de oração bem diferente daquele a que você está acostumado, mas sentar em meditação e estar consciente desta dor, isto também é oração. Com a energia da concentração e da introspecção, somos capazes de ver e entender a importância dessa dor, o verdadeiro motivo por que surgiu e a maneira como seremos capazes de curá-la, com base na compreensão que provém da mente alerta e da concentração. Se tivermos ansiedade demais, se estivermos imaginando sempre coisas, esta ansiedade e estas imaginações vão trazer estresse à nossa mente, e a dor aumentará. Não é câncer, mas nós imaginamos que é câncer, e nós nos preocupamos e lamentamos até não mais conseguir comer nem dormir. A dor redobra e pode levar a uma situação mais grave. Em um sutra, o Buda dá o exemplo de duas flechas. Se uma segunda flecha é lançada para dentro da ferida causada pela primeira flecha, a dor não será apenas dobrada, mas dez vezes maior. Não deveríamos deixar que uma segunda ou terceira flechas chegassem e nos ferissem ainda mais por causa de nossa imaginação e de nossas preocupações. Quando perseguimos os objetos do desejo dos nossos sentidos como dinheiro, fama, poder e sexo, não estamos em condições de produzir autêntica felicidade. Ao contrário, criamos muito sofrimento para nós e para os outros. Os seres humanos estão repletos de desejos. Dia e noite correm atrás desses desejos e, por isso, não são livres. Se não forem livres, não se sentem à vontade e não experimentam a felicidade. Se tivermos poucos desejos, ficamos satisfeitos com uma vida simples e saudável, com viver profundamente cada instante da vida diária, com amar e cuidar de nossos entes queridos. Este é o segredo da verdadeira felicidade. Na nossa sociedade atual, muitíssimas pessoas procuram a felicidade na satisfação dos desejos dos sentidos. Aumentou em muito o sofrimento e o desespero. O sutra da Floresta fala do desejo como de uma armadilha. Se formos pegos na armadilha do desejo, vamos lamentar e perder toda nossa liberdade, e não podemos ter verdadeira felicidade. O medo e a ansiedade também geram sofrimento. Se tivermos suficiente compreensão para aceitar uma vida simples e estar satisfeitos com o que temos, não nos precisamos preocupar mais nem temer nada. É só porque achamos que amanhã podemos perder nosso emprego e não receber o salário mensal que vivemos em constante nervosismo e ansiedade. Por isso, a única saída para nossa civilização é consumir pouco e produzir mais felicidade. (Do livro “A energia da oração” – Thich Nhat Hanh) Você sabe, a única coisa que realmente me surpreendeu quando fui pela primeira vez para o Ocidente era ouvir pessoas dizendo: ”Eu me odeio”, eu nunca poderia entender isso. Mas agora eu acho que entendo, quando as pessoas dizem: ”Eu me odeio”, o que eles realmente querem dizer é: ”Eu me amo demais”, e elas estão sempre decepcionadas por não corresponder ás expectativas que têm de si mesmas! Acho que o que elas querem dizer é: ”Eu sempre estou decepcionado comigo mesmo”. Tai Situ Rinpoche, entrevistado por Mick Brown. O sofrimento é um atalho Não podemos minimizar o efeito de uma boa meditação de quarenta minutos, que é tempo que um praticante mais maduro deve fazer. Então essa prática para a vida diária vai mudando essas questões do que alcançar. Sentir que não alcançou nada também já é muito bom. Porque um dos grandes problemas de quem começa a praticar é pensar que atingiu algo, ele senta-se e pensa – Ah, eu adquiri serenidade – ou – Que bom, eu pratico meditação e sou mais sereno, sou mais “zen” – como se diz na gíria. Há até quem se ache iluminado. Mas isso não tem nada a ver com o zen. Sentar-se e adquirir serenidade é uma prática que poder ser feita de muitas formas e não precisa, em absoluto, ter um objetivo espiritual. A serenidade é apenas um subproduto do sentar-se quieto em meditação, nada mais que isso. É como muita prática de ioga que se faz hoje em dia e transforma-se em ginástica simplesmente, mas que não tem objetivos espirituais, é mera busca de poder e prazer, a ioga com objetivos espirituais é outra coisa. Então o primeiro que os alunos fazem quando se apresentam é sentar para meditar. Se você não ficar sentado quieto quarenta minutos não vai ouvir nenhum ensinamento, e se não voltar não tem problemas, porque o Zen não é para curiosos nem para pessoas que esperam resultados instantâneos ou uma panacéia, o Zen é para pessoas com a cabeça em chamas. Então tem que haver angústia, porque só a angústia existencial mobilizou Buda para prática, porque estava angustiado largou mulher, filho e foi para o meio da floresta e treinou, só por isso. Então é necessária a angústia, a inquietude e o desejo de se libertar. Por isso esse sofrimento é um atalho para a realização espiritual. E um corpo humano é a grande oportunidade, porque os homens tem as duas coisas, prazeres e dores. P: Eu sei que não existe uma fórmula pra isso, mas como é complexo não pensar não é? Monge Genshô: Não pense em não pensar. Quando se está fazendo zazen (meditação), não se trata de “não pensar”, mas sim de ficar prestando atenção completa a este momento presente, que é uma forma de pensar, não elaborando, não julgando, não conversando consigo mesmo, não usando palavras nem nada, apenas percebendo. Mas não é um “não pensar”. É pensando além do pensar e não pensar. Não se trata de não pensar, porque o cérebro continua funcionando. Ele está ali, vigilante e atento. Não é pra dormir. Quando você dorme, outra parte do cérebro toma conta e você começa a ter sonhos, que são uma atividade que não permite o zazen. O zazen precisa de vigília, de atenção. Texto de Monge Genshô. Examinamos sinceramente nossa existência. Como está nossa vida? Quais foram até agora nossas prioridades e o que queremos para o tempo de vida que nos resta? Somos um misto de sombras e luzes, de qualidades e defeitos. Seria essa uma maneira de ser ideal, um fato inevitável? Se assim não for, o que fazer? Essas perguntas merecem ser feitas, sobretudo, se sentimos que uma mudança é possível e desejável. Contudo, no Ocidente, devido às atividades que consomem, da manhã à noite, uma parte considerável de nossa energia, temos menos tempo para nos debruçar sobre as causas fundamentais da felicidade. Imaginamos que, mais ou menos conscientemente, quanto mais multiplicamos nossas atividades, mais as sensações se intensificam e mais nossa insatisfação é estancada. Na realidade, muito são aqueles que, ao contrário, se sentem decepcionados e frustrados com o modo de vida contemporâneo. Sentem-se desarmados, mas não veem outra solução porque as tradições que preconizam a própria transformação estão fora de moda. As técnicas de meditação visam transformar a mente. Não é necessário atribuir-lhes um rótulo religioso particular. Cada um de nós tem uma mente, cada um pode trabalhar com ela. Mattheiu Ricard Sofrimento por si só não é tão ruim É possível tomar nossa existência como um “mundo sagrado”, encarar esse lugar como espaço aberto em vez de um escuro vazio claustrofóbico. É possível ter uma relação amigável com nossa natureza de ego, é possível apreciar a estética da dança de formas na vacuidade, e existir nesse lugar como reis majestosos de nossas próprias consciências. Mas, para fazer isso, precisaríamos desistir de “agarrar” para fazer tudo sair do jeito que imaginamos em nossos devaneios. Então, o sofrimento é causado pela ignorância ou “agarrar ignorante” — ou é exagerado pela ignorância ou “agarrar ignorante” — e apego pela noção de como imaginamos que deveria ser. Isso é o que causa o “sofrimento do sofrimento”. O sofrimento por si só não é tão ruim. É o ressentimento contra o sofrimento que é a verdadeira dor. Por eu facilmente ficar chateado e agitado, isso mostra que não tenho a mente de renúncia. A mente de renúncia de certo modo é bem simples. Temos mente de renúncia quando compreendemos que tudo isso não é grande coisa. Alguém pisa em seu dedão, qual a grande coisa aí? Quanto mais nos acostumarmos com essa ideia, mais temos mente de renúncia. Pelo menos, tento ver por que transformo tudo em uma coisa tão grande. Estou meramente dando a você um modelo de como invocar a mente de renúncia. É um pouco como esse exemplo. Estamos andando nesse deserto por tanto tempo, e tudo que jorra, que é aquoso, é tão importante para nós. Mesmo se vemos uma miragem, nosso único desejo é se aproximar da água sem jamais compreender que é só uma miragem. Se você não sabe que é uma miragem e vai até lá, tudo que você obtém é um grande desapontamento. Então, saber que é só uma miragem é a mente de renúncia. [...] A renúncia de algum modo tem essa conotação de abrir mão de algo. Mas é como o exemplo da miragem. Você não pode abrir mão da água porque não há nenhuma água; é só uma miragem. Além disso, você não precisa abrir mão de uma miragem porque qual é o sentido de abrir mão de uma miragem? A pessoa simplesmente só precisa saber que é uma miragem. Tal compreensão é uma grande renúncia. No momento que você sabe que é uma miragem, o mais provável é que você nem vá até lá porque sabe que é falso; ou mesmo que vá, não há desapontamento, porque você já sabia o que havia ali. No mínimo, você terá só um pequeno desapontamento. É por isso que Jamgon Kongtrul disse que a mente de renúncia é como uma fundação. [...] A mente de renúncia não tem nada a ver com sacrifício. Como já mencionei, quando falamos sobre renúncia, de algum modo ficamos todos assustados porque pensamos que temos que abrir mão de alguns bens, algo valioso, algumas coisas importantes. Mas não há nada que é importante; não há nada que solidamente exista. Tudo que você está abrindo mão é, na verdade, uma vaga identidade. Você compreende que isso não é verdadeiro, não é absoluto; é esse o modo e o porquê de desenvolver renúncia. A renúncia não precisa ser vista como negativa. Fui ensinada de que ela tem a ver com desistir de segurar. Uma pessoa renuncia ao “fechar-se” e “desligar-se” da vida. Poderia ser dito que renúncia é a mesma coisa que se abrir para os ensinamentos do momento presente. [...] A renúncia é compreender que nossa saudade de ficar em um mundo protegido, limitado e bonitinho é insanidade. Uma vez que você começa a captar o sentimento de quão grande é o mundo e quão vasto é o nosso potencial para experimentar a vida, então você realmente começa a entender a renúncia. Quando sentamos em meditação, sentimos nossa respiração assim que ela acontece, e sentimos uma certa vontade de apenas estarmos abertos ao momento presente. Então, nossas mentes passam a vagar entre todo tipo de histórias, artificialidades e realidades fabricadas, e dizemos a nós mesmos: “isso é pensar”. Dizemos isso com muita gentileza e muita precisão. Toda vez que estamos prontos para deixar de lado a trama, e toda vez que estamos prontos para deixar-se ir no final da expiração, isso é renúncia fundamental: aprender como abandonar o segurar e o manter. Conclusão da meditação Ao meditar, é importante saber claramente a condição mental que você quer chegar como a conclusão da meditação. Textos lamrim descrevem o objetivo de cada meditação, e queremos garantir que nossa mente chegue a essa conclusão e não a uma conclusão incorreta ou irrelevante. Por exemplo, ao meditar sobre as desvantagens do pensamento centrado no ego, nossa mente pode distorcer essa meditação e concluir: “sou uma pessoa horrível por ser tão egoísta”. Essa é a conclusão errada que se chega com essa meditação. O Buda não ensinou as desvantagens do centramento no ego para que ridicularizemos a nós mesmos. Se você meditar em um tópico lamrim e chegar a uma conclusão incorreta, a meditação não foi feita corretamente. No caso acima, pensar “sou uma pessoa ruim por ser tão egoísta”, indica que não compreendemos o objetivo da meditação e provavelmente caímos em um velho hábito de nos colocarmos para baixo. Pare e pergunte a si mesmo: “Qual conclusão o Buda quer que eu chegue a partir dessa meditação?”. Ele quer que eu tenha certeza que a mente centrada no ego é o verdadeiro “inimigo”, que destrói minha felicidade. O centramento no ego não é uma parte intrínseca de mim; não é quem eu sou. Trata-se de um pensamento incorreto, mas profundamente enraizado, que cria problemas para mim. Posso me libertar disso. Já que quero ser feliz, vou compreender essa atitude egoísta pelo que ela é, e vou parar de seguí-la! Em vez disso, vou cultivar amor e compaixão por todos os seres.” Essa é a conclusão que você quer chegar. “Guided Meditations on the Stages of the Path” “A MEDITAÇÃO NÃO É UMA PRÁTICA PARA TENTAR ATINGIR O ÊXTASE, BEM-AVENTURANÇA ESPIRITUAL, OU TRANQÜILIDADE, NEM É A TENTATIVA DE SE TORNAR UMA PESSOA MELHOR. É SIMPLESMENTE A CRIAÇÃO DE UM ESPAÇO EM QUE SOMOS CAPAZES DE EXPOR E DESFAZER OS NOSSOS JOGOS NEURÓTICOS, DOS NOSSOS AUTO-ENGANOS, NOSSOS MEDOS E ESPERANÇAS ESCONDIDAS.” CHOGYAM TRUNGPA

domingo, 3 de agosto de 2014

A PRIMEIRA IMPRESSÃO, NÃO PODE SER SEMPRE A QUE FICA

Em minhas andanças de viagens de ônibus, me deparei com um fato inusitado, embarcando na rodoviária de Araraquara com destino a São Paulo tomei o assento número 2, que constava no bilhete da passagem destinada a passageiros preferênciais, pois tenho o direito adquirido por portar mais de 60 anos, vim nesse coletivo até a cidade de São Carlos, na poltrona ao lado de número 1, não tinha passageiro. Desci na rodoviária de São Carlos para ir ao sanitário, e deixei uma jaqueta no banco, quando voltei tinha um senhor da melhor idade sentado na poltrona 2, pelos nossos condicionamentos já começamos a julgar, e achei uma certa ousadia desse senhor, pois a passagem dele deveria ser a de número 1. Pois bem, não parou por aí, esse senhor além de sentar em poltrona errada ligou seu celular, e colocou seu braço esquerdo tomando todo o apoio que divide os assentos, e ainda ultrapassou para o meu lado, logo pensei: que sujeito folgado. Tentei me acalmar, e tirei uma soneca até o posto próximo de Limeira onde ele faz uma parada de 20 minutos. Desci novamente, fui até o sanitário, e fiquei aguardando próximo do ônibus o retorno do motorista para seguir viagem. Eis que nesse interim, esse senhor se aproximou de mim, e perguntou se o ônibus em frente era o que estávamos viajando, confirmei, e ele todo sorridente me ofereceu biscoitos de polvilho, e começou a conversar. Compensando sua desatenção em relação ao ônibus, ele tinha percebido que uma mulher e seus dois filhos que tinha descido estava subindo em coletivo errado, e comentou: que um dos meninos já tinha observado isso. Então ele começou a falar sobre sua vida, dizendo que era vigia de um estacionamento de carros, que era pouco alfabetizado, que tinha sofrido um atropelamento de carro quando voltava de bicicleta do trabalho, que no momento do acidente não tinha sentido nada, porém depois começou a sentir dores, e acabou sendo hospitalizado, teve que usar muletas durante algum tempo, e atualmente estava quase que todo recuperado. Disse-me também que estava voltando da cidade de São Carlos, onde tinha ido visitar uma irmã. Durante seus relatos pude sentir, que tinha feito uma pré opinião totalmente errada sobre sua pessoa. Diante de um pensamento da grande maioria da população brasileira, que entende que ser normal é sempre levar vantagem em tudo o que fazemos, percebi que segundo esse raciocínio invertido, esse senhor não era normal, e me fêz lembrar o comportamento do personagem do filme "Forrest Gump", e eu vou além disso pelo que pude aquilatar, esse senhor de 66 anos é muito mais puro e ingênuo do que o do filme. Pelo seu relato, me disse que era casado com sua ex mulher, uma professora de escola pública, e com a qual teve 3 filhos, porém o caçula pelo que veio a descobrir foi fruto da traição de sua mulher com seu próprio irmão, mesmo sabendo que esse filho não era de seu sangue lhe contou o ocorrido, e afirmou que o amava assim mesmo, e o filho também lhe disse, que o considerava como seu verdadeiro pai. Ainda afirmou, que sua ex mulher mora na mesma casa que ele construiu, porém sem mais a união de corpos, mas que ainda compra alimentos, gaz, e tudo o mais que for necessário. Relatou que tem consulta com psicólogo, para poder superar essa situação. Contou também, que esse irmão inescrupuloso manteve relações com outra cunhada, e foi pai de uma menina com ela, o que levou seu outro irmão a cometer suicídio. Disse que também pensou em suicídio, e amaldiçoou o irmão traidor, porém hoje o perdoou, mas não quer mais contato com ele. Quando chegamos na rodoviária de São Paulo disse: - Pocha, a gente nunca mais vai se ver, e eu gostei tanto de conversar com o senhor, poderíamos marcar um dia para comermos uma feijoada. Ao que lhe respondi que não comia carne, e ele com muita inocência retrucou: - Mas como a gente faz então?, o que o senhor come? O aconselhei a não comer mais carne, mas se não conseguisse, a preferir carne branca ao invés da vermelha. E ele respondeu: - Eu comi carne a vida inteira, o que faço agora?. Eu não quero morrer entupido por colesterol igual a minha irmã. Passou seu número de celular para mim. E disse: O senhor vai ligar mesmo? Respondi que sim. Tanta violência que vemos ser noticiada na mídia, geralmente tem início no próprio lar, uns reagem de forma passiva, e outros se revoltam e tomam atitudes mais violentas. JOSÉ BENTO

quinta-feira, 31 de julho de 2014

TONGLEN

Conheça o tonglen e saiba porque precisamos remar contra a maré. Altruísmo Amor Auto Estima Budismo Causas da Felicidade Causas do Sofrimento Compaixão Treino da Mentejul 29, 2014 “Se você quer que os outros sejam felizes, pratique compaixão. Se você quer ser feliz, pratique compaixão”. ~ Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama -------------------------------------------------------------------------------- Tonglen, a prática da compaixão por Ty Phillips. Para aqueles de nós que não estão familiarizados com o budismo tibetano, a palavra tonglen não tem nenhum significado. Mas seu valor como uma prática pode proporcionar uma mudança profunda para todos nós. Tonglen basicamente significa dar e receber. É uma prática de compaixão, e sua única intenção é levar o sofrimento dos outros sobre nós mesmos e dar-lhes a nossa saúde, paz e felicidade em troca. Para muitos ocidentais, isso soa como uma ideia absurda e tola; até mesmo os nossos trabalhadores de saúde mental que as vezes encorajam uma visão de mundo auto centrada, a fim de se auto-curar. Por que pensar em assumir os fardos de outras pessoas? Nossa prática pode começar com a simples idéia de querer bem a alguém próximo, que sentimos amor: um cônjuge, um filho, um amigo. Não precisamos começar com todo o planeta. Nós simplesmente nos sentamos e sentimos nossas emoções sobre esta pessoa brotando-nosso amor para com o nosso filho ou filha, o nosso amor para com nossos cônjuges ou entes queridos. Nós permitimos que este sentimento cresça e nós sentimos que isso flui em direção a eles com um desejo mais profundo e mais intenso para o seu bem-estar. Não tem que ser mais complexo ou profundo do que isso. À medida que progredimos em nossa prática de aspirar o bem-estar e um fim ao sofrimento para outras pessoas, podemos começar a tentar com alguém que é neutra para nós ou colega de trabalho. Notamos que eles têm um resfriado, ou estão nervosos sobre uma entrevista ou algum outro aspecto de sua vida. Podemos compreender esses sentimentos já que somos capazes de nos relacionar com eles. Nós também tivemos a doença e a ansiedade sobre uma situação, neste caso uma entrevista. Nós permitimos que o nosso entendimento e compreensão cresçam, e com isso também, nosso senso de conexão através de uma experiência compartilhada e emoção. Nós entendemos e desejamos que eles se sintam à vontade e naturalmente desejamos-lhes sorte e sucesso. Este processo de crescimento e empatia relacional é o segundo passo. É fácil e calmo. Não é um auto-martírio. É apenas um simples cultivo de empatia. À medida que começar a se conectar com a nossa capacidade de se relacionar e sentir empatia e preocupação com os outros, podemos começar com os outros seres sencientes; o sofrimento dos animais nas mãos de seres humanos, crianças famintas ou pessoas sem-teto, uma mulher agredida, uma criança desaparecida. Se nós nos sentamos com essas situações, podemos entender o sentimento de medo, dor ou temor que está intrinsecamente ligado a eles. Podemos entender que há mais do que apenas a nossa família e amigos neste mundo que enfrentam os mesmos medos e dores que nós sentimos. Começamos a se relacionar com uma expressão maior da vida e da conectividade. Desejamos estes outros seres paz e liberdade. Como os nossos sentimentos de compaixão começam a crescer, percebemos que a nossa capacidade de se conectar e se relacionar com outras pessoas tem se expandido muito. As paredes que construímos para empurrar os outros para longe estão desmoronando. Idéias de eu e eles estão começando a desaparecer. Então, com isso, aumentamos a nossa prática para incluir pessoas que não necessariamente ligamos. As pessoas do sistema prisional; pessoas que sempre estão demonizado algum partido político contrário, ou mesmo aqueles que nos feriram. Eles também são capazes de sentir dor e medo. Eles sofrem e querem proteger seus entes queridos também. Suas ações, muito parecidas com as nossas, são uma projeção de seus medos e apegos. Nós podemos sentar e lembrar como costumavamos nos sentir quando nosso mundo era pequeno – a noção de cuidar de ”mim” e do ”meu” e ”o resto que se vire”, que era isso. Nossa idéia de compaixão cresceu e agora podemos ver como realmente somos semelhante a outros que só querem a mesma sensação de segurança, mesmo que a sua luta para encontrá-la pode ser prejudicial. Suas intenções são geralmente boas. Eles querem a liberdade tanto quanto nós. Eles querem uma sensação de segurança em um mundo que só conhece constante mudança e fluxo. Talvez a sua dor não é tão diferente da nossa. E nós começamos a nos conectar. Começamos a sentir que o seu bem-estar, bem como o nosso, pode mudar a perspectiva de jogo. E assim, desejamos-lhes bem. Queremos ajudá-los a crescer e florescer. Quando outra pessoa te faz sofrer, é porque ele sofre profundamente dentro de si mesmo, e seu sofrimento está transbordando. Ele não precisa de punição, ele precisa de ajuda. Thich Nhat Hanh Quando começamos nossa prática de tonglen, talvez esta mensagem não tenha sido algo que estávamos dispostos a entreter. Veio contra o nosso “instinto animal natural do olho por olho, matar ou ser morto.” Como a nossa prática se aprofundou, vimos cada vez menos de uma necessidade de tais barreiras extremas entre nós e eles. A idéia de ”eu e os meus” diminuiu e uma sensação de verdadeira conexão com os outros floresceu. A idéia de assumir o ônus de um outro ser não parece ser uma idéia tão tola mais. Na verdade, parece que é o estado natural da nossa mente. Como prática tonglen aprofunda e continua, e nossa interconexão torna-se óbvia, percebemos que nossas paredes caíram, nossas dores diminuíram, o nosso medo e angústia tornou-se quase inexistente e, vejam só, o que é essa coisa na minha cara? Sim, é um sorriso. Em nossa busca para curar os outros, nós nos curamos. Nós abandonamos nossas delusões e falsidades e nós começamos a nos permitir ser totalmente abertos, totalmente conectados e totalmente amados. Remando contra a maré, instruções precisas do Tonglen A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos quanto pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade. Para sentir compaixão por outras pessoas, precisamos sentir compaixão por nós mesmos. Precisamos nos preocupar, principalmente, com as pessoas que sentem medo, raiva, inveja, que são dominadas por todo tipo de vício, que são arrogantes, orgulhosas, mesquinhas, egoístas, más — você pode escolher. Ter compaixão e carinho por elas significa não fugir da dor de encontrar essas características em si mesmo. De fato, toda a nossa atitude diante da dor pode mudar. Em vez de rechaçá-la e de nos escondermos dela, é possível abrir nosso coração e nos permitirmos sentir essa dor, senti-la como algo que nos abranda, purifica e nos torna muito mais amorosos e bondosos. A prática de tonglen é um método para nos conectarmos com o sofrimento — nosso próprio sofrimento e o que nos rodeia onde quer que possamos ir. É um método que nos leva a superar nosso medo da dor e a dissolver a dureza de nosso coração. Acima de tudo, faz despertar a compaixão que é inerente a todos nós, não importa quanto possamos parecer cruéis ou frios. Iniciamos essa prática recebendo em nós mesmos a dor de alguém que sabemos estar em sofrimento e desejamos ajudar. Se sabemos que uma criança está sofrendo, por exemplo, inspiramos essa dor, desejando que ela se liberte totalmente do pesar e do medo. Quando expiramos, enviamos felicidade, alegria, ou o que lhe traga alívio. Esta é a essência da prática: inspiramos a dor do outro, para que ele possa sentir-se bem e ter mais espaço para relaxar e abrir, e expiramos, transmitindo relaxamento ou aquilo que sentimos que pode trazer alívio e felicidade. Freqüentemente, entretanto, não conseguimos realizar essa prática porque nos vemos frente a frente com nosso próprio medo, nossa resistência, raiva ou qualquer outro sofrimento pessoal que esteja presente. Nesse momento, podemos mudar o foco e começar a praticar tonglen por aquilo que estamos sentindo e por milhares de pessoas que, como nós, naquele exato momento, sentem precisamente a mesma impotência e angústia. Talvez sejamos capazes de dar um nome à nossa dor. Reconhecemos claramente o terror, repulsa, raiva ou desejo e vingança. Então, inspiramos por aqueles que estão dominados pelas mesmas emoções e irradiamos alívio ou qualquer outra sensação que proporcione espaço para nós mesmos e para essas incontáveis pessoas. Às vezes, não conseguimos dar um nome ao que estamos sentindo. Mesmo assim, podemos perceber sua presença — um aperto no estômago, uma certa opressão ou o que quer que seja. Simplesmente entramos em contato com o que estamos sentindo e inspiramos, trazendo-o para dentro de nós e fazendo isso por todos. Então, enviamos para fora alívio para todos. Diz-se, freqüentemente, que essa prática contraria o padrão costumeiro que usamos para não desmoronar. Na verdade, a prática de tonglen realmente se opõe à nossa tendência habitual de querer tudo ao nosso próprio modo, de desejar que tudo dê certo para nós, independente do que aconteça aos outros. Ela desfaz os muros que construímos ao redor de nosso coração, as camadas de autoproteção que lutamos tanto para criar. Usando uma linguagem budista, podemos dizer que dissolve a fixação e o apego do ego. A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos como pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade. Ele nos apresenta a amplidão ilimitada de shunyata. Quando o praticamos, começamos a nos conectar com a vasta dimensão de nosso ser. Inicialmente, deixamos de dar tanta importância a tudo e nossa experiência passa a ser menos sólida do que parecia. A prática de tonglen pode ser feita para os que estão doentes, para os que estão morrendo ou já morreram, para todos aqueles que, de alguma forma, estão sofrendo. Tonglen pode ser praticado como uma meditação formal, ou em qualquer lugar e a qualquer momento. Estamos passando e vemos alguém em sofrimento — ali mesmo, começamos a inspirar essa dor e a exalar alívio. Ou então, ao ver alguém sofrendo, podemos desviar o olhar. Esse sofrimento desperta nosso medo ou raiva, nossa resistência e confusão. Portanto, naquele exato momento, podemos praticar tonglen por todas as pessoas que, assim como nós, desejam ser corajosas, mas são covardes. Em vez de nos punirmos, podemos usar nossos próprios entraves como o primeiro degrau para compreender o que outras pessoas, no mundo inteiro, estão enfrentando. Inspirar por todos nós e expirar por todos nós. Usar o que parece veneno como remédio. Podemos usar nosso sofrimento pessoal como um caminho em direção à compaixão por todos os seres. Quando praticamos tonglen no momento em que nos deparamos com o sofrimento, apenas inspiramos e expiramos — inspiramos a dor, exalamos a amplidão e o alívio. Quando praticamos tonglen como uma meditação formal, devemos seguir quatro passos: 1. Em primeiro lugar, descanse sua mente por alguns segundos em um estado de abertura ou quietude. Esse estágio é tradicionalmente chamado de lampejo do bodhichitta absoluto, ou de súbita abertura à amplidão e clareza fundamentais. 2. Em seguida, trabalhe com a textura. Inspire o calor, a escuridão e o peso — a sensação de claustrofobia — e expire serenidade, claridade e leveza — a sensação de frescor. Inspire profundamente, por todos os poros, e expire, irradie completamente, usando todos os poros de seu corpo. Faça isso até que essas sensações estejam sincronizadas com sua inspiração e expiração. 3. No passo seguinte, trabalhe uma situação pessoal — qualquer situação dolorosa que seja real para você. Tradicionalmente, começa-se praticando tonglen por alguém com quem nos preocupamos e que queremos ajudar. Entretanto, como já mencionei, quando seus próprios problemas o impedem de prosseguir, você pode realizar a prática pela dor que está sentindo e, simultaneamente, por todos aqueles que, como você, passam pelo mesmo tipo de sofrimento. Por exemplo, se está se sentindo incapaz, inspire essa sensação, por si mesmo e pelos outros que estão no mesmo barco, e exale confiança, sentimento de ser capaz ou de alívio, da forma que desejar. 4. Finalmente, torne esse processo mais abrangente. Se você está praticando tonglen por alguém que ama, estenda a prática a todos aqueles por quem nutre o mesmo sentimento. Se está praticando por alguém que viu na televisão ou na rua, faça o mesmo por todos os que estão em situação semelhante. Não se limite a uma única pessoa. Talvez já seja suficiente praticar por todos aqueles que, como você, estão dominados pela raiva, medo, ou por qualquer outro sentimento que também o aprisione. Entretanto, em todos esses casos, você pode ir além. Você pode praticar tonglen por aqueles que considera inimigos — aqueles que o ferem ou ferem alguém. Faça tonglen por eles, pense neles como dominados pela mesma confusão e impotência que vê em si mesmo e naqueles que ama. Inspire a dor deles, expire alívio. A prática de tonglen pode ser infinitamente ampliada. À medida que pratica, gradualmente e ao longo do tempo, verá que sua compaixão naturalmente se expande, e o mesmo acontece com a percepção de que as coisas não são tão sólidas quanto você pensava. À medida que pratica, gradualmente e em seu próprio ritmo, ficará surpreso ao perceber-se cada vez mais capaz de ajudar os outros, mesmo em situações que pareciam insolúveis. Pema Chödrön, no livro ”Quando tudo se desfaz” Tradução de Helenice Gouvêa. Rio de Janeiro: Gryphus, 1999, p. 99-103. “Quando você se encontra preso em si mesmo, o Tonglen abre o seu ser para a verdade do sofrimento dos outros; quando o seu coração está bloqueado, o Tonglen destrói as forças que o obstruem, e quando se sente distante de quem está sofrendo diante de você, ou tomado pela amargura e o desespero, o Tonglen o ajuda a encontrar em si mesmo e revelar a radiância amorosa e expansiva da sua verdadeira natureza.” Sogyal Rinpoche -------------------------------------------------------------------------------- A imagem que ilustra o post é uma dança chamada ‘Guanyin de Mil Mãos e Mil Olhos’, representação de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Buda da Compaixão, ele tem mil braços, com um olho na palma de cada mão, demonstrando que olha e cuida de infinitos seres vivos. Chenrezig está dentro de nós porque o amor e a compaixão não são qualidades adicionadas à mente. Estas qualidades são parte do estado desperto da mente, mesmo que no momento este estado exista somente como um potencial em nós. Cada pessoa cujo coração é movido pelo amor e pela compaixão, que age profunda e sinceramente pelo benefício de todos, sem interesse para a fama, o lucro, a posição social ou reconhecimento, expressam a atividade de Chenrezig. QUER RECEBER ENSINAMENTOS BUDISTAS